Insurgem-se por ter sido dito a expressão de um" governo sem condições".
A expressão resulta do comunicado da comissão política de iniciar
negociações sem condições prévias. Coisa espantosa, o Bloco não tinha
(?) sequer condições prévias para discutir com o PS, note-se, nem mais
nem menos que um "governo"?!
Artigo de Luís Fazenda
1 - Fernando Rosas, Mariana Mortágua e José Gusmão, a delegação que reuniu com o PS, na sua sede a 16/7/13,elaborou um texto de resposta, largamente publicitado, a declarações de Pedro Filipe Soares, quando da apresentação da moção Bloco Plural. As declarações criticavam a proposta de construção das bases programáticas de um designado governo de esquerda com o PS, ao tempo liderado por Seguro. Insurgem-se por ter sido dito a expressão de um" governo sem condições". A expressão resulta do comunicado da comissão política de iniciar negociações sem condições prévias. Coisa espantosa, o Bloco não tinha (?) sequer condições prévias para discutir com o PS, note-se, nem mais nem menos que um "governo"?! O eco que disso se obteve foi aquele que Francisco Louçã descreveu (in Público, 21/7/13). Usou até a mesma forma: "A novidade decisiva, no entanto, foi a iniciativa do Bloco, que muitos esperavam, provando vontade para um governo de esquerda. Sem condições e com uma agenda clara: a reestruturação da dívida e o Estado Social. A partir de agora não há mais nenhum obstáculo na esquerda para um entendimento de maioria, a não ser a devoção do PS ao ritual dos acordos com a troika". Há, obviamente, condições em qualquer negociação séria e no caso em análise não são difíceis de elencar. Uma destas condições, a posição face ao tratado orçamental, foi até corretamente usada por João Semedo, uns meses depois, para justificar que não podia haver convergência de governo com o PS. Curiosamente, em julho de 2013 havia mais de um ano que o PS já tinha ratificado o Tratado Orçamental! Insurgem-se ainda os autores do texto que não propuseram Seguro para primeiro-ministro. Claro que não. Como é evidente, o BE não escolheria o líder, estava na mão do PS. Tentar apagar essa consequência é que não parece apropriado.
2 - Quanto à agenda das conversações para um programa de governo com o PS e PCP, a agenda é certamente discutível. O que não será controverso é que essa agenda está bem distante da resolução política da Convenção. Basta comparar o Guião que foi entregue aos outros partidos para as conversações. O Guião, propunha reestruturar a dívida em montantes, juros e prazos, recuperar cortes dos salários e pensões, recuperar o Serviço Nacional de Saúde, e ponto. A Convenção compreendia esses elementos para um governo de esquerda mas ia bem mais longe: recuperação de todos os serviços públicos, nacionalização da banca intervencionada, nacionalização da energia, telecomunicações, combustíveis, reforma fiscal atingindo rendimentos e património das elites.
Em 13/5/13, Catarina Martins ainda dizia ao jornal Público: “É preciso renegociar a dívida, recuperar salários e pensões, ter o controlo público do crédito e ter um novo sistema fiscal, porque a tributação do trabalho e do capital são claramente desajustadas. Isto são quatro pontos básicos a partir dos quais se constrói um governo de esquerda". Dois meses depois, a agenda era drasticamente mitigada.
3 - Terá sido a crise política "irrevogável" que acelerou essa iniciativa do Bloco. Ao invés, o momento não podia ser mais inoportuno, com o PS cúmplice das condições de Cavaco para tentar um acordo tripartido PSD/PS/CDS.O que teria o Bloco a ver com aquela embrulhada? Abrimos os telejornais com a nossa proposta de governo. Para quê? Foi pena alimentarmos confusão sobre os propósitos do BE. Logo após as eleições autárquicas, e perante o alarme dos resultados, desapareceu o "governo de esquerda" da propaganda política do Bloco. Contudo, o BE ainda equacionou uma eventual coligação com o movimento 3D antes das eleições europeias, cuja filosofia difusa se aproximava daquela que continha o Guião e o processo que o envolveu. (F. Rosas, Público, 30/1/2014)
4 - O essencial das críticas sobre linha política imprimida pela maioria no Bloco radica no zigzag de posições. Nos últimos tempos, e no contexto do abandono da Associação Manifesto, as demarcações com o PS têm sido feitas. Entendemos que esse vaivém deriva da falta de um caminho de afirmação própria, com acertos e erros, como o Bloco teve até 2011.A questão radica em lutar para obter uma maioria social e não uma aliança parlamentarista. Afirmações de se pretender um governo com o atual PS, ou mais recentemente alvitrar, em resposta a Jerónimo de Sousa, que insistia que PCP e BE cada um ia na sua bicicleta, que há bicicletas com 2 selins, não são de molde a gerar confiança no projeto.
5 - O facto de nem Pedro Filipe Soares, nem muitos outros, terem feito alarde das diferenças de opinião deve-se a uma atitude que é bem reconhecida. Ao contrário de outros não fizemos polémica pelos media, não prejudicamos o BE nas autárquicas e europeias, diferenças que seriam sempre empoladas, e discretamente marcamos posição. Quando me foi solicitado pelos coordenadores encabeçar a delegação que foi a essa reunião com o PS, disse o que pensava sobre isso e rejeitei. As dissonâncias foram claras. Talvez tenha havido falta de ouvido.
2 - Quanto à agenda das conversações para um programa de governo com o PS e PCP, a agenda é certamente discutível. O que não será controverso é que essa agenda está bem distante da resolução política da Convenção. Basta comparar o Guião que foi entregue aos outros partidos para as conversações. O Guião, propunha reestruturar a dívida em montantes, juros e prazos, recuperar cortes dos salários e pensões, recuperar o Serviço Nacional de Saúde, e ponto. A Convenção compreendia esses elementos para um governo de esquerda mas ia bem mais longe: recuperação de todos os serviços públicos, nacionalização da banca intervencionada, nacionalização da energia, telecomunicações, combustíveis, reforma fiscal atingindo rendimentos e património das elites.
Em 13/5/13, Catarina Martins ainda dizia ao jornal Público: “É preciso renegociar a dívida, recuperar salários e pensões, ter o controlo público do crédito e ter um novo sistema fiscal, porque a tributação do trabalho e do capital são claramente desajustadas. Isto são quatro pontos básicos a partir dos quais se constrói um governo de esquerda". Dois meses depois, a agenda era drasticamente mitigada.
3 - Terá sido a crise política "irrevogável" que acelerou essa iniciativa do Bloco. Ao invés, o momento não podia ser mais inoportuno, com o PS cúmplice das condições de Cavaco para tentar um acordo tripartido PSD/PS/CDS.O que teria o Bloco a ver com aquela embrulhada? Abrimos os telejornais com a nossa proposta de governo. Para quê? Foi pena alimentarmos confusão sobre os propósitos do BE. Logo após as eleições autárquicas, e perante o alarme dos resultados, desapareceu o "governo de esquerda" da propaganda política do Bloco. Contudo, o BE ainda equacionou uma eventual coligação com o movimento 3D antes das eleições europeias, cuja filosofia difusa se aproximava daquela que continha o Guião e o processo que o envolveu. (F. Rosas, Público, 30/1/2014)
4 - O essencial das críticas sobre linha política imprimida pela maioria no Bloco radica no zigzag de posições. Nos últimos tempos, e no contexto do abandono da Associação Manifesto, as demarcações com o PS têm sido feitas. Entendemos que esse vaivém deriva da falta de um caminho de afirmação própria, com acertos e erros, como o Bloco teve até 2011.A questão radica em lutar para obter uma maioria social e não uma aliança parlamentarista. Afirmações de se pretender um governo com o atual PS, ou mais recentemente alvitrar, em resposta a Jerónimo de Sousa, que insistia que PCP e BE cada um ia na sua bicicleta, que há bicicletas com 2 selins, não são de molde a gerar confiança no projeto.
5 - O facto de nem Pedro Filipe Soares, nem muitos outros, terem feito alarde das diferenças de opinião deve-se a uma atitude que é bem reconhecida. Ao contrário de outros não fizemos polémica pelos media, não prejudicamos o BE nas autárquicas e europeias, diferenças que seriam sempre empoladas, e discretamente marcamos posição. Quando me foi solicitado pelos coordenadores encabeçar a delegação que foi a essa reunião com o PS, disse o que pensava sobre isso e rejeitei. As dissonâncias foram claras. Talvez tenha havido falta de ouvido.

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