O Bloco de Esquerda é sem dúvida um partido singular no
panorama político português. O arco-íris de sensibilidades políticas que o
compõe granjeou a simpatia de quem, como eu, procurava um partido assente em
valores de esquerda e não se revia no centralismo do PCP. O Bloco nasceu da
pluralidade e cresceu na pluralidade. Queremos isso mesmo. Que continue igual a
si próprio, plural como mais nenhum.
Artigo de Sandra Cunha
O Bloco de Esquerda é sem dúvida um partido singular no panorama político português. O arco-íris de sensibilidades políticas que o compõe granjeou a simpatia de quem, como eu, procurava um partido assente em valores de esquerda e não se revia no centralismo do PCP. O Bloco nasceu da pluralidade e cresceu na pluralidade. Queremos isso mesmo. Que continue igual a si próprio, plural como mais nenhum.
Por isso e para isso subscrevo a moção E 'Bloco Plural: fator de viragem'.
Muito se tem dito sobre esta moção. Que é uma moção da UDP e que os seus subscritores escolheram arredar-se de uma tendência que se queria hegemónica e que pretenderia “unir”o Bloco de Esquerda
Vamos por partes. Apesar de ser uma aderente do início do Bloco, não pertenço nem nunca pertenci à UDP nem a nenhuma outra corrente originária do partido. Não por diferenças políticas significativas mas porque até agora me sentia relativamente integrada e respeitada na minha diferença. E como eu a maior parte dos mais de 1000 subscritores da moção Bloco Plural. Quem cola esta moção à UDP, por um lado, não percebe que o seu universo ultrapassa em muito as fronteiras de qualquer corrente. Basta comparar o universo de membros da UDP e o da moção Bloco Plural para percebermos o ridículo da afirmação. Por outro lado, revela o quão pouco se pensa dos camaradas que se uniram em torno da construção de propostas concretas e do debate de ideias políticas. Até parece que se 'escolhem lados' por clubismos.
Esta ideia não passa também na análise da composição das outras moções. Todos sabemos que há camaradas da UDP noutras moções. Nomeadamente na Moção U. Todos sabemos também que as várias moções contam com subscritores que fizeram parte do PSR, da Política XXI, da UDP ou que eram simplesmente desacorrentados, como se vulgarizou chamá-los. E isto acontece porque este é o tecido real do Bloco de Esquerda. Plural, diverso e com várias origens.
Também não é verdade que os membros da UDP tenham escolhido arredar-se da formação de uma tendência hegemónica que pretenderia “unir” o Bloco. Não se trata aqui de disputas pessoais ou entre correntes como se estivéssemos a discutir pertenças a clubes de futebol. A questão não diz respeito a escolhas de clube ou a táticas escondidas. Trata de escolhas políticas claras, de análises diferentes sobre o que tem trazido o Bloco a perder eleitorado e de aspirações diferentes sobre o rumo que se pretende seguir.
Querer unificar apagando diferenças e sensibilidades diversas é escolher o caminho mais fácil mas também o mais perigoso. Ignorar diferenças não pode trazer bons resultados. Funcionam como a verdade. Um dia vêm sempre ao de cima. Querer formatar o Bloco numa estrutura de pensamento unitário é não perceber que é esta diversidade que confere ao Bloco de Esquerda a sua identidade única, que o distancia dos outros partidos da arena política, que o torna tão especial. É não perceber que a unidade do Bloco reside precisamente no respeito pela sua pluralidade. E não perceber isto causa-me aliás bastante espanto.
Defendemos um Bloco que reconheça essa diversidade, que a acarinhe, que discuta as diferenças e as debata no espaço próprio que é a Convenção do Bloco. E é nesta pluralidade que me revejo e que tantos aderentes se revêem e é nesta pluralidade que podemos, de novo, fazer crescer o Bloco. Prova disso mesmo é termos nesta convenção cinco moções diferentes.
E porque fazemos esse reconhecimento e acreditamos que muitas cabeças pensam melhor que uma, propusemos e fizemos aprovar na Mesa Nacional como proposta de alteração aos estatutos, apesar da oposição dos coordenadores, uma real “direcção partilhada”. Propusemos que seja respeitada na composição da Comissão Política a proporcionalidade dos resultados de cada moção na Convenção. Só assim se pode ultrapassar a dominação do pensamento unitário. Ou como dizia Alfreda da Cruz da Política XXI e fundadora do Bloco de Esquerda, alcançar o pensamento pluritário. Só assim se garante a representação de todos os aderentes e de todas as sensibilidades do Bloco de Esquerda na tomada de decisão política. Só assim se efectiva a democracia que queremos no Bloco.
Vamos por partes. Apesar de ser uma aderente do início do Bloco, não pertenço nem nunca pertenci à UDP nem a nenhuma outra corrente originária do partido. Não por diferenças políticas significativas mas porque até agora me sentia relativamente integrada e respeitada na minha diferença. E como eu a maior parte dos mais de 1000 subscritores da moção Bloco Plural. Quem cola esta moção à UDP, por um lado, não percebe que o seu universo ultrapassa em muito as fronteiras de qualquer corrente. Basta comparar o universo de membros da UDP e o da moção Bloco Plural para percebermos o ridículo da afirmação. Por outro lado, revela o quão pouco se pensa dos camaradas que se uniram em torno da construção de propostas concretas e do debate de ideias políticas. Até parece que se 'escolhem lados' por clubismos.
Esta ideia não passa também na análise da composição das outras moções. Todos sabemos que há camaradas da UDP noutras moções. Nomeadamente na Moção U. Todos sabemos também que as várias moções contam com subscritores que fizeram parte do PSR, da Política XXI, da UDP ou que eram simplesmente desacorrentados, como se vulgarizou chamá-los. E isto acontece porque este é o tecido real do Bloco de Esquerda. Plural, diverso e com várias origens.
Também não é verdade que os membros da UDP tenham escolhido arredar-se da formação de uma tendência hegemónica que pretenderia “unir” o Bloco. Não se trata aqui de disputas pessoais ou entre correntes como se estivéssemos a discutir pertenças a clubes de futebol. A questão não diz respeito a escolhas de clube ou a táticas escondidas. Trata de escolhas políticas claras, de análises diferentes sobre o que tem trazido o Bloco a perder eleitorado e de aspirações diferentes sobre o rumo que se pretende seguir.
Querer unificar apagando diferenças e sensibilidades diversas é escolher o caminho mais fácil mas também o mais perigoso. Ignorar diferenças não pode trazer bons resultados. Funcionam como a verdade. Um dia vêm sempre ao de cima. Querer formatar o Bloco numa estrutura de pensamento unitário é não perceber que é esta diversidade que confere ao Bloco de Esquerda a sua identidade única, que o distancia dos outros partidos da arena política, que o torna tão especial. É não perceber que a unidade do Bloco reside precisamente no respeito pela sua pluralidade. E não perceber isto causa-me aliás bastante espanto.
Defendemos um Bloco que reconheça essa diversidade, que a acarinhe, que discuta as diferenças e as debata no espaço próprio que é a Convenção do Bloco. E é nesta pluralidade que me revejo e que tantos aderentes se revêem e é nesta pluralidade que podemos, de novo, fazer crescer o Bloco. Prova disso mesmo é termos nesta convenção cinco moções diferentes.
E porque fazemos esse reconhecimento e acreditamos que muitas cabeças pensam melhor que uma, propusemos e fizemos aprovar na Mesa Nacional como proposta de alteração aos estatutos, apesar da oposição dos coordenadores, uma real “direcção partilhada”. Propusemos que seja respeitada na composição da Comissão Política a proporcionalidade dos resultados de cada moção na Convenção. Só assim se pode ultrapassar a dominação do pensamento unitário. Ou como dizia Alfreda da Cruz da Política XXI e fundadora do Bloco de Esquerda, alcançar o pensamento pluritário. Só assim se garante a representação de todos os aderentes e de todas as sensibilidades do Bloco de Esquerda na tomada de decisão política. Só assim se efectiva a democracia que queremos no Bloco.

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