Maior abrangência e democraticidade para um maior enraizamento e diversidade na discussão e ação dentro e fora do Bloco de Esquerda, é isso que propomos.
O debate sobre o modelo de organização dos mais jovens dentro do Bloco de Esquerda é dinâmico desde sempre, tendo dado origem a modelos diferentes. No presente momento, existe um modelo de organização estudantil, que agrega todos e todas as que estudam e focam o seu ativismo político no espaço da escola pública e das universidades.
Este modelo teve origem numa necessidade, na altura, de intervenção estudantil pelos ataques ferozes (e que continuam) à escola pública, mas também porque a massa crítica jovem do BE sentiu que se devia agregar nesta área de luta.
Apesar de todas as vantagens que possa ter este modelo e das vantagens do trabalho já alcançado, é consensual, hoje, que este modelo não serve as necessidades de intervenção jovem dentro do Bloco de Esquerda.
Isto porque uma intervenção jovem não se esgota com a intervenção estudantil e urge, no momento político actual, trabalhar com base num modelo amplo, que não invalide nenhuma intervenção sectorial. Há, por outro lado, que olhar para a realidade á nossa volta e perceber onde estão os jovens do país e quais as maiores ameaças que enfrentamos: e não se circunscrevem ao meio estudantil.
Na II conferência de Organização propusemos que se iniciasse a reflexão sobre o modelo existente para pensar o futuro, apresentando uma proposta de caminho para um novo modelo. Um modelo que deve englobar todos e todas as jovens na sua discussão e formação de base, sem preconceitos e com legitimidade democrática. Um modelo que seja também um reflexo da realidade dos nossos dias.
Num momento em que cada vez menos e menos pessoas têm possibilidade de estudar devido aos seus custos, a luta deve estar concentrada no fim da mercantilização do ensino, mas também junto daqueles e daquelas que emigram, que têm trabalho precário ou que estão desempregados sem perspectivas de futuro. E só com um sector jovem organizado, que privilegie vários sectores de luta, poderá dar resposta aos anseios dos jovens e implementar-se na sociedade portuguesa.
Um modelo que cresça da discussão de base, com legitimidade democrática, sem grupos ou comissões tuteladas; um modelo de coordenação de jovens que seja representativa de todos os activismos, dando espaço a todos e a todas que hoje não têm esse espaço político no Bloco ou na sociedade.
Acreditamos ser possível contrariar a tendência de descredibilização da política sentida nas camadas mais jovens da sociedade através da sua integração em todas as discussões; acreditamos ser possível inverter a tendência vivida internamente de dificuldade de atrair mais jovens para o trabalho estudantil, no secundário e no superior.
Atrair jovens para a luta contra o trabalho precário, para a luta por mais direitos na investigação, para a luta contra a emigração forçada, para a luta feminista (na escola, locais de trabalho, etc), para a luta ecologista e tantas outras lutas que cada um e cada uma queira fazer. Mas também o movimento inverso, se levar uma política activa para os locais onde estas lutas se travam.
Maior abrangência e democraticidade para um maior enraizamento e diversidade na discussão e ação dentro e fora do Bloco de Esquerda, é isso que propomos.
Alexandra Ribeiro – Porto
André Moreira – Vila Real
Bruno Góis – Santarém
Diogo Barbosa – Coimbra
Fabian Figueiredo – Lisboa
Gonçalo Cabral Ferreira - Porto
Isabel Pires - Lisboa
João Manso – Setúbal
Júlia Pereira - Setúbal
Laura Diogo – Lisboa
Luís Bernardino - Setúbal
Luís Monteiro – Porto
Pedro Celestino - Setúbal
Rute Simão – Castelo Branco
Sara Schuh – Lisboa
Suzan Timuroglu - Setúbal

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